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O Grande "Eu Sou"
Para que o mundo conheça Jesus Cristo
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O testemunho de Jesus no Evangelho de João apresenta Jesus pregando, ensinando e dando testemunho de si mesmo. Este testemunho de Jesus é promessa, é palavra viva, mas é também imagem da vida do povo. Diante disso, é que salta aos nossos olhos a mensagem desta última preleção de Jesus aos discípulos antes de ser preso; sim, João 14.17 é um verdadeiro resumo do ensino de Jesus de acordo com o Evangelho de João. Meditemos no que Jesus desejava transmitir aos discípulos. Deixemos que a vida do texto, pelo Espírito, ilumine a nossa vida e nosso testemunho. Mas para isto consideremos como Jesus testemunha acerca de sua obra. |
Jesus usa a expressão “eu sou” sete vezes. Tal expressão é uma fórmula introdutória para Jesus apresentar-se a si mesmo. A fórmula aparece primeiramente como uma afirmação: “eu sou”. Isto ocorreu quando Jesus foi até os discípulos andando sobre as águas, depois de ter se demorado um pouco ali. Então, diante do temor dos discípulos, Ele disse: sou eu, não temais.(Jo 6.20).
E, para que eles se sintam encorajados, ele dá testemunho de quem ele é. Este tema é especialmente importante, quando nos propomos, como povo de Deus, a darmos testemunho da nossa fé, para que o mundo conheça Jesus Cristo.
1. Eu sou o pão da vida (Jo. 6.35)
Esta afirmação de Jesus insere-se em um momento em que o que está em jogo é: o que é realmente importante para a vida humana? Jesus já havia multiplicado os pães e os peixes; isto alimentara a multidão.
Em função disso, as pessoas queriam proclamá-lo rei (Jo 6.15). Em seguida, a multidão persegue-o até Cafarnaum. A essas pessoas, Jesus disse suas conhecidas palavras: “Em verdade, em verdade vos digo: Vós me procurais não porque vistes sinais, mas porque comestes dos pães e vos fartastes. Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela que subsiste para a vida eterna, a qual o Filho do homem vos dará; porque Deus, o Pai, o confirmou com o seu selo”. (Jo 6.26-27). Atualmente, temos visto essa situação em toda parte. As pessoas não querem Jesus, querem o que ele pode oferecer: emprego, alimento, dinheiro, segurança, cura. Exatamente aqui entra o ensino de Jesus. Eles deviam buscar não a comida, o sustento que perece, desaparece, mas o pão do céu, o pão de Deus, que é realmente o princípio. Este é o próprio Jesus, “...o pão que desce do céu e dá vida ao mundo” (Jo 6.33). Ele é o pão da vida (Jo. 6.35). Confirmam-se, aqui, as expressões de Mateus 6:33: “Buscai primeiro... e todas as coisas vos serão acrescentadas.” Este pão da vida, Jesus, é o principal sustento de que todos precisamos. Ele nos dá energia, espiritual e física para que construamos um mundo onde não haja fome, onde as pessoas não sejam manipuladas em sua religiosidade por causa de suas necessidades.
2. Eu sou a luz do mundo (Jo 8.12)
Quando Jesus usou essas palavras, ficou muito claro que ele falava com os fariseus, pois foram estes que fecharam seus corações e mentes para o seu ensino. Estavam em trevas, careciam da luz de Deus, “a verdadeira luz que, vinda ao mundo, ilumina a todo o homem” (Jo 1.9). É justamente por isso que o relato que vem após este ensino é o da cura do cego, quando o que estava em trevas vê, e os que vêem, mas não crêem (os fariseus) permanecem em trevas (Jo 9.39). Muitas pessoas, ao se converterem, testemunham que foi como se tivesse caído um véu dos seus olhos. Começaram a ver Jesus de outra maneira. Passam a ver os familiares, amigos e até inimigos com outros olhos. João diz na sua carta: “Todavia, vos escrevo novo mandamento, aquilo que é verdadeiro nele e em vós, porque as trevas se vão dissipando e a verdadeira luz já brilha.” (1 Jo 2.8). Essas pessoas receberam Jesus, a luz do mundo. Quem o segue não anda em trevas; abrem-se os olhos, abre-se a mente para entender as coisas de Deus. Assim, Jesus, a luz do mundo, dá-nos os olhos e a mente de Deus.
Somos iluminados por Jesus, a verdadeira luz. Com isso, passamos a ser úteis ao Reino de Deus, pois enxergamos o mundo a partir da visão de Deus.
3. Eu sou a porta das ovelhas (Jo 10.7)
Enquanto a expressão “pão da vida” fala de sustento verdadeiro, sustento que vem de Deus, a “luz do mundo” fala de visão com os olhos de Deus, com a mente de Deus. Já a expressão “porta das ovelhas” fala de lugar de decisão. Jesus é uma escolha que fazemos. Afirmo que é a melhor escolha, mas não somos obrigados a nos decidir por ele, temos livre-arbítrio, podemos aceitá-lo ou não. E isso desde o Jardim do Éden, onde tínhamos uma direção, mas também a liberdade de escolher. Através de Adão e Eva, escolhemos desobedecer a Deus. Sabemos que nosso adversário, satanás, oprime e tenta manipular-nos, para fazermos o que ele quer. Quem cai nas suas garras torna-se escravo. Somos testemunhas de tal realidade (Jo 13.27). Com Deus não é assim. Diante de nós, estão sempre dois caminhos: o largo e espaçoso, que conduz à perdição, e o estreito, que conduz à vida. Jesus está ali, diante do caminho estreito, como a “porta das ovelhas”, pronto a nos acolher (Mt. 7.13-14). Por isso, nossa tarefa como povo de Deus é tomar esta decisão, de seguir a Jesus, e estimular o maior número possível de pessoas a fazer o mesmo.
4. Eu sou o bom pastor (Jo 10)
O cuidado de ovelhas era uma das principais atividades econômicas de Israel. Em todos os testemunhos de Jesus sobre quem ele era, há uma interação com a vida do povo. Jesus usa a linguagem do dia-a-dia e fala às necessidades das pessoas. Assim, quando ele diz que é bom pastor, há uma comunicação imediata, e um interesse real por ele e por sua palavra. Todos sabiam o que era um bom pastor. Ele atribuía nome às ovelhas, ou seja, conhecia pessoalmente cada uma delas. Há ainda hoje um profundo anseio no meio do povo de ser conhecido e reconhecido. Vivemos uma cultura de massa, de impessoalidade. O Evangelho forma comunidade, mas resgata a condição pessoal, eleva a auto-estima. Como parte disso, sabemos que temos um Deus e Bom Pastor, o qual nos conhece e sabe das nossas necessidades. Nesse caso, Jesus fez uma distinção, já que o bom pastor vem para cuidar das ovelhas, inclusive dar sua vida por elas. Mas há outros interessados nas ovelhas. São os ladrões e salteadores, que não conhecem as ovelhas, nem estão interessados nas suas necessidades, mas querem apenas a lã e a carne delas. Aqui está fundamentalmente a diferença. Vida abundante junto a Jesus, o bom pastor, ou morte, ao ser arrebatado pelos ladrões e salteadores, que, no caso do texto de João, eram os religiosos judeus. E hoje? Onde estão esses ladrões?
5. Eu sou a ressurreição e a vida (Jo 11.25-26)
Estamos diante de um testemunho que confrontou as crenças de Israel, já que um dos grupos religiosos mais importantes da época, o dos saduceus, não cria em ressurreição. Além disso, recolocou o tema da fé no centro do testemunho cristão. Quando Marta foi ao encontro de Jesus, ela fez esta afirmação de fé: “Senhor, se estiveras aqui, meu irmão não teria morrido.” (Jo 11.21). Esta era uma fé que se reportava ao passado imediato, quando a morte de Lázaro não havia ocorrido. Aqui estão duas grandes barreiras da fé na ressurreição. Primeiro, a morte é nossa grande adversária. Não a encaramos, pois tememos este confronto. Foi o que Marta demonstrou para nós. Ela achava que Jesus podia ter curado Lázaro, quando enfermo. Segundo, nós sempre recordamos Deus como o que operou seus poderosos feitos. A maioria dos cristãos não põe em dúvida a operação de Deus no passado. Mas, e hoje?! “Já cheira mal”, disse Marta, “já é de quatro dias” (Jo 11.39).
Jesus volta a insistir que seu irmão há de ressurgir (Jo 11.23).
Marta sai do passado, e se reporta ao futuro. “Eu sei”, replicou Marta, “que ele há de ressurgir no último dia.” (Jo 11.24). Aqui está nosso grande desafio no testemunho: mostrar que crer em Jesus e na ressurreição é não somente crer nos atos de Deus no passado, ou na realização da esperança escatológica futura, mas também é crer na ressurreição nos termos colocados por Jesus: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá; e todo o que vive e crê em mim, não morrerá, eternamente. Crês nisto?” (Jo 11.25-26). A importância desta mensagem é colocar Jesus no presente. Ele é, hoje, a vida e a ressurreição. Nós podemos experimentar, presentemente, uma vida abundante, os sinais da fé na ressurreição. Ao ressuscitar Lázaro, ao resgatar a vista ao cego, Jesus traz, para o presente, os sinais do Reino de Deus. Ele antecipa elementos da escatologia, como diz Paulo: “sabendo isto: que foi crucificado com ele o nosso velho homem, para que o corpo do pecado seja destruído, e não sirvamos o pecado como escravos”. (Rm 6.6).
6. Eu sou o caminho, a verdade e a vida (Jo 14.6)
No próprio ensino bíblico, está claro que todo ser humano tem livre-arbítrio para decidir o caminho que quer trilhar; há caminhos que dão para a morte, e outros que dão para a vida (Mt. 7.13-14), já ensina Jesus nos outros evangelhos. Caminho, na Bíblia, é uma forma de viver. O salmista começa dizendo: “Bem-aventurado o homem que não anda no caminho dos... antes o seu prazer está na lei do Senhor”; ou ainda, “... luz para o meu caminho é a tua Palavra” (Sl 1.2; Sl 119.105). Casualmente, João começa o evangelho dizendo: “E o verbo (palavra) se fez carne e habitou entre nós...” (Jo 1.14). Tais indicações deixam claro que no mundo bíblico não há caminhos de vida para seres humanos fora da Palavra de Deus, por isso, Jesus é o Caminho, porque ele é a Palavra de Deus manifesta entre nós: “...e vimos a sua glória ...” (Jo 1.14). Sendo ele O caminho, no singular, não há outro caminho para Deus; afinal, ele disse: “...e ninguém vem ao Pai, senão por mim...” (Jo 14.6). Por isso, ele é a vida; vida que vem de Deus, vida que liberta, cura, salva, transforma. E também, por isso, ele é a verdade, e as evidências podem ser dadas nas palavras de Nicodemos: “...porque ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não estiver com ele.” (Jo 3.2). Por tudo isso, Jesus é, de fato, caminho, verdade e vida, no testemunho que ele dá de si mesmo.
7. Eu sou a videira verdadeira (Jo. 15:1)
Tão importante como a imagem do pastor e das ovelhas é a imagem da videira e do agricultor. Comunicavam de imediato a vida do povo de Israel. A videira é símbolo de Israel. Aqui, Jesus afirma que ele é a verdadeira videira, e seu povo, o novo Israel de Deus, são os ramos da videira. Jesus afirma aqui a responsabilidade de ser povo de Deus. Pois onde aparecem os cachos de uva na videira senão nos ramos, que somos nós, nascidos de novo da água e do Espírito (Jo 3.5)?
Assim, nossa vida precisa estar conectada ao Corpo de Cristo, a Videira verdadeira, e, deste modo, produzir frutos. Não esqueçamos um conteúdo de juízo presente no texto: “Se alguém não permanecer em mim, será lançado fora à semelhança do ramo, e secará; e o apanham, lançam no fogo e o queimam.” (Jo 15.6). Na verdade, há uma estreita dependência de Jesus e do Pai, que é o agricultor. Isso questiona nosso estilo de vida autônoma. Vivemos, freqüentemente, como se Deus fosse um elemento na nossa agenda, que aparece aos domingos ou nos momentos de grande aflição. Aqui, a expressão-chave para nós é “permanecer na videira”, ou seja, é depender em tudo de Jesus. O próprio Jesus diz: “Sem mim nada podeis fazer.” (Jo 15.5). Isso significa que, se quisermos ser cristãos e fazer diferença neste mundo, precisamos permanecer em Cristo, manhã, tarde e noite, de segunda a domingo. Devemos depender dele, do Senhor Jesus.
Que Deus abençoe o amado... Saúde e paz em Cristo!
Para que o mundo conheça Jesus Cristo
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